Onicomicose

É no verão que reparamos nelas

O que é?

A Onicomicose é uma infecção que atinge as unhas, causada por fungos. A maioria é provocada por fungos dermatófitos. Alguns fungos filamentosos não-dermatófitos e leveduras também podem provocar onicomicose. No Mundo, a prevalência na população adulta ronda os 20%. Em Portugal estima-se que mais de milhão e meio de portugueses estejam afectados pela doença. Os fungos alimentam-se de queratina, proteína que constitui a superfície dura das unhas.

A transmissão interpessoal, através de objectos contaminados como alicates e tesouras utilizados na manicure e pedicure, constitui a principal fonte de infecção. As unhas mais comumente afectadas são as dos pés (80% dos casos), uma vez que o uso de sapatos fechados propicia um ambiente favorável (umidade, temperatura e ausência de luz) ao desenvolvimento dos fungos.

Manifestações Clínicas:

    • Onicólise: descolamento da unha do seu leito na região distal e/ou lateral. Pode haver acumulação de material fétido sob a unha. É a forma de apresentação mais comum;
    • Hiperqueratose subungueal: as unhas aumentam de espessura, ficam endurecidas e grossas;
    • Alterações da coloração das unhas (amareladas ou esbranquiçadas): Melanoníquia – pontos ou linhas escuras, e Leuconíquia – manchas esbranquiçadas na superfície da unha;
    • Distrofias ungueais: destruição e deformidades da unha, que fica frágil, quebradiça e deformada;
    • Paroníquia: o contorno da unha fica inflamado, doloroso, edemaciado e eritematoso, o que altera a formação da unha, que cresce ondulada e com alterações da superfície.

 

Figura 1:: Onicomicose das unhas dos pés:
tipo subungueal distal e lateral. Hiperqueratose subungueal distal e onicólise.

 

 

 

Figura 2: Onicomicose das unhas dos pés:
tipo distrófico. Lâmina ungueal espessada e distrófica.

 

 

 

 

Figura 3: Onicomicose das unhas dos pés. Toda a lâmina ungueal do hálux está espessada e distrófica.

 

 

 

Factores que favorecem a infecção

Os factores que predispõe a infecção por fungos, incluem:

  1. Uso de sapatos fechados;
  2. Deficientes hábitos de higiene;
  3. Frequência de locais públicos – banhos, saunas, vestiários, etc.;
  4. Uso de verniz nas unhas, que impede o seu adequado arejamento;
  5. Ser portador de doença crónica ou infecção (ex: Diabetes; infecção pelo VIH);
  6. Distúrbios da circulação arterial.

 

Diagnóstico

O diagnóstico baseia-se nas manifestações clínicas, podendo ser confirmado pela observação microscópica directa dos elementos fúngicos e/ou isolamento do fungo patogénico por cultura. A aparência das unhas é muitas vezes sugestiva do diagnóstico. Após observar a unha ou unhas afectadas, o médico pode colher pequenas amostras das lesões ungueais, que são posteriormente enviadas para um laboratório onde são sujeitas a procedimentos que visam identificar a presença de fungos e/ou outros agentes infecciosos.

 

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial faz-se, principalmente, com psoríase, líquen plano, lesões traumáticas, foto-onicólise, distrofias ungueais congénitas, infecção por Pseudomonas, entre outras afecções que pode produzir alterações subungueais semelhantes às infecções por fungos.

 

Prevenção

Para ajudar a prevenir as infecções fúngicas das unhas dos pés, é importante adoptar determinados hábitos de higiene:

  1. Evite o uso de sapatos fechados que dificultam a arejamento dos pés;
  2. Evite a humidade dos pés. Após a lavagem diária, seque-os cuidadosamente;
  3. Evite meias de tecido sintético. Prefira as de algodão;
  4. Quando em locais públicos (casas-de-banho, piscinas, saunas) evite o contacto directo com o chão. Use sapatos, sandálias ou chinelos;
  5. Mantenha as unhas dos pés cortadas e cuidadas;
  6. Use apenas o seu próprio material de manicure e pedicure. Se frequenta estabelecimentos de estética para cuidados podológicos, certifique-se de que os instrumentos utilizados são submetidos a esterilização prévia.

 

Tratamento

Dispomos actualmente de tratamentos práticos, baratos, seguros e eficazes. Estes podem ser tópicos, sistémicos, ou combinados, de acordo com a gravidade de cada situação clínica. Tipos de tratamento:

  1. Tratamento Tópico: antifúngicos em verniz (Amorolfina ou um derivado do Imidazol);
  2. Tratamento oral: antifúngicos em comprimidos ou cápsulas (ex: Terbinafina, Itraconazol e Fluconazol);
  3. Tratamento com associação de antifúngicos tópicos e orais.

A duração do tratamento é variável, dependendo da gravidade das lesões, e da sua localização. O tratamento por via oral é de 2 a 3 meses para as unhas das mãos, e de 3 a 4 meses para os pés. A interrupção do tratamento favorece a persistência do quadro clínico e as suas recidivas, bem como o desenvolvimento de resistências aos fármacos utilizados.

Os fármacos utilizados podem causar, ocasionalmente, efeitos secundários desagradáveis e/ou interacções medicamentosas. A terapêutica das onicomicoses, como acontece na maior parte das terapêuticas, pressupõe o aconselhamento médico.

 

Quando contactar o médico

Sempre que observe alterações nas unhas ou nos tecidos circundantes, deve contactar o seu médico. Este irá garantir que obtenha o tratamento mais eficaz para o seu caso particular, com rápida melhoria do quadro clínico. O diagnóstico e tratamento precoces são muito importantes para evitar a disseminação às unhas não afectadas e a contaminação interpessoal.

 

Evolução e Prognóstico

Sem tratamento eficaz, as onicomicoses não regridem de forma espontânea, evoluindo para a cronicidade, com o envolvimento progressivo de várias unhas das mãos e dos pés. Algumas formas esporuladas de fungos continuam viáveis e infectantes no meio ambiente por até 5 anos, tornando as recorrências muito frequentes.

 

Dr. Rita Pereira
Clínica Medical One
Medicina Geral e Familiar

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